Objetiva-se publicar biografias, histórias de vida e de batalhas relativas à Revolução de 1932. Caso saiba de algo, entre em contato. Para maiores informações envie mensagem à malusim53@yahoo.com.br.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Homenagem ao Sr. Pedro Abrucês.






É com grande tristeza que comunico o falecimento do Sr. Pedro Abrucês, simpatizante da Revolução Constitucionalista de 32, ferroviário, político, apaixonado pela vida, pelas artes, historiador pela vivência e pela sabedoria.
O Núcleo de Correspondência “Trincheiras Paulistas de 32 de Jaguariúna” homenageia esta grande personalidade que foi o Sr. Pedro Abrucês.
Faleceu nesta madrugada de 13 de março de 2017, será velado a partir das 9:00h e seu sepultamento está marcado para as 16:00h, no Cemitério de Jaguariúna.
Meus sinceros pêsames aos familiares.


Maria Helena de Toledo Silveira Melo.

quarta-feira, 8 de março de 2017

MULHERES DE 32 EM FOTOGRAFIAS!



Neste dia em que se comemora o “Dia Internacional da Mulher”, quero homenagear as Mulheres de 32, pois foram de vital importância na Revolução Constitucionalista de 1932, tanto na retaguarda como também nas trincheiras.

Nas fotografias as grandes heroínas de 32: as que empunharam armas e foram para as frentes das batalhas, como Maria Stela Sguassabia e Maria Soldado, entre outras e as grandes mulheres que estiveram na retaguarda desenvolvendo um trabalho primordial, para o bem dos Soldados Constitucionalistas e de suas famílias. As mulheres estiveram presentes desde os primeiros dias do movimento e assim permaneceram até o final.






Mulheres nas ruas centrais de São Paulo em manifestação durante a primeira
semana do movimento. Fot. Revista "A Cigarra" (Arquivo pessoal)





Fot. Revista "Cinelândia" (Arquivo Pessoal).





















Fot. Revista "O Cruzeiro", 22/10/1932. (Arquivo pessoal)








Maria Soldado no hasteamento da Bandeira em comemoração ao
9 de Julho, recebeu o título Mulher Símbolo de 32, (Fot. Jornal)



Fot. blogs.estadão.com.br




Mulheres Índias.




Mulheres na despedida no embarque do Batalhão da "Legião Negra".

As Mulheres da “Legião Negra”, em sua maioria, alistavam-se como enfermeiras ou cozinheiras e acompanhavam seus maridos nos campos de combate. 


Em 9 de Julho de 1954, D. Chiquinha, antiga escrava com 120 anos, hasteou a
Bandeira Paulista na Alvorada no Pátio do Colégio.
Fot. Revista Mundo Ilustrado, 14/07/1954. (arquivo pessoal)




Alunas do Colégio Caetano de Campos confeccionaram Bandeira brasileira
em comemorações de 9 de Julho.





Publicado em Jornal  solicitação do Gal. Herculano de Oliveira Carneiro, para que Maria de Almeida
 Silveira fosse inumada no Mausoléu ao Soldado Constitucionalista. (arquivo pessoal).



Na lista oficial de 890 nomes que se encontram no Mausoléu ao Soldado Constitucionalista, encontrei apenas o nome de duas mulheres: Maria José Barroso a Maria Soldado e Maria Dulce Magalhães Pinto Alves da Associação Cívica Feminina.





Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
07/03/2017.


sexta-feira, 3 de março de 2017

Mulheres de 32 – I



Durante as comemorações do “CINQUENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932”, foi promovida pelo Governo do Estado de São Paulo junto com a Secretaria de Educação e Comissão Estadual de Moral e Civismo, uma série de conferências, dirigida à Rede Estadual e Municipal de Ensino e ilustres convidados, com o tema Revolução de 32, a s quais foram realizadas em novembro de 1981. Destaco nesta publicação a palestra, “A Presença da Mulher em 32”, proferida pela Professora Carolina Ribeiro, nome de destaque na educação paulista e também como Voluntária na Revolução de 32.
É uma explanação longa onde a Professora conta o que fez e como fez, também dá sua opinião sobre vários aspectos da Revolução de 32 e sobre a sociedade e cultura paulista.
Destaco, a seguir, alguns trechos de sua palestra em relação à Revolução:

“A presença da Mulher em 32” por Professora Carolina Ribeiro.

[...] “Vocês me perguntam que é que fez a mulher paulista em 32?
Mas nós fizemos tudo! ... a fraqueza transformando em força, ânimo, vigor; cada mulher sendo mãe, esposa, irmã, simplesmente namorada, dizia a cada rapaz: vai! mantendo os olhos enxutos, comprimindo o coração, para que não fraquejasse, indo depois chorar sozinha, escondida, aquela ausência; rezar com fervor para que preservasse aquelas vidas, preciosas para São Paulo...”.
[...] “Partiam os jovens às centenas: precisavam de roupas, agasalhos, precisavam até de coisas que pareciam supérfluas; precisavam de bandagens, de medicamentos, e nós mulheres assumimos esta parte.”
[...] “Foi criada a Comissão de Mulheres, que deveriam cuidar não só de roupa e de agasalho, mas também de acudir a infraestrutura, [...]”
Era necessário acudir as famílias dos Soldados mais carentes.
“Foram montados em São Paulo, vinte e seis postos de assistência às famílias. [...]
“Eu me alistei às nove horas da manhã de Nove de Julho. [...] .”
“Como educadora, como Paulista, como educada no respeito à Lei e ao Civismo: lá fui. [...] o “Posto” ficava ali defronte ao Pátio do Colégio. Depois passou para a esquina da rua Consolação, e depois estabeleceu-se, até o fim, na Praça da República.
O grupo constituído na ocasião, por mim, junto ao M.M.D.C. e a Liga das Senhoras Católicas: Alaide Borba, [...] Nini Vergueiro Steidel, Zuleica Martins Ferreira, [...]; Alice Meireles Reis.
Nós chefiávamos este posto, mas nos vinte e dois postos distribuídos pela cidade inteira, voluntárias, mãos que tiraram as luvas para cortar bacalhau ou carne seca, ou o que houvesse no dia para distribuir, dentro d’uma tabela. Nós no Centro, matriculávamos. Havia um grupo de jovens que se incumbia da parte de escrituração, de fazer o alistamento das famílias.”
Tudo muito bem estruturado e organizado, com as tarefas divididas entre as voluntárias e os postos.
[...] “Era uma recessão branca. Cada mulher poupava, cada mulher economizava, cada mulher restringia o seu dia - a- dia de alimentação, para que sobrasse coisas, alimentos, para os que iam combater. Porque de fora nada vinha, só vinham balas, só vinha bazucas, só vinha canhão, e os aviões que eles chamavam “gafanhotos”, gafanhotos perigosos.
Economizávamos tudo dentro de casa. Porque se havia dias em que vinha do interior um caminhão de frangos, ou de carne, batatas, oh! que maravilha, cada posto ganhava, um, dois, três frangos; outras vezes, vinha um caminhão de aboboras; outras vezes vinha um caminhão de metades de porco, mas tudo isso tinha que ser controlado e estava centralizado em mãos de mulheres, para estar bem, bem dirigido.”
[...] "Nós (os paulistas), fabricando tudo que era possível, e as mulheres dando assistência e de comer às famílias; as mulheres fabricando as bandagens necessárias para os feridos, porque logo começaram a vir os primeiros feridos, e eu vi ser levado a subir a R. da Consolação o primeiro morto.
Era preciso fabricar, era preciso inventar.”
Ao tomar conhecimento da cessação das hostilidades por intermédio de um soldado, o qual entregou-lhe o comunicado do Governador Pedro de Toledo, foi tomada de grande comoção.
[...] "nós no nosso posto de trabalho, recebíamos a visita do Tenente Coronel Moia, que ia dizer que nós teríamos uma semana para entregar as nossas fichas, os nossos relatórios, tudo aquilo que tínhamos feito. Chamou-nos, as cinco que estávamos chefiando o trabalho para perguntar: as senhoras vão continuar?
Eu disse: - Não! Voltou-se para Alayde Borba: - Não!
Voltou-se para Zuleika Martins Ferreira: - Não!
Voltou-se para Nini Steidel e para Alice Meireles: - Não!
Disse eu: - não trabalho para a ditadura. [...]”
E a Prof. Carolina Ribeiro terminou seu depoimento com a seguinte frase:
 “Nós estamos de pé, continuamos, eu com a proximidade dos meus noventa anos, digo: quero, apenas, morrer de pé, educadora, cristã, paulista.”




Publicação das Conferências realizadas no Clube Piratininga.
(Arquivo pessoal).

               Nas imagens a seguir a Conferência completa da Professora Carolina Ribeiro.



A apresentação da Profª Carolina Ribeiro
 por Sólon Borges dos Reis.






























Honra às Mulheres Paulistas de 32! Honra às Voluntárias que trabalharam sem descanso e com toda garra como a de um verdadeiro Soldado Constitucionalista!!!


Dados biográficos de Carolina Ribeiro.

Conhecida como uma educadora rigorosa e enérgica a escola que acredita construir é o lugar da formação cívica e moral de crianças disciplinadas que, com sua dedicação e responsabilidade, engrandecem o país.
Paulista de Tatuí, Carolina nasceu em 28 de janeiro de 1892 e faleceu aos 90 anos, em 15 de abril de 1982, deixando importante legado para a educação na carreira que percorreu no magistério público e desbravou na hierarquia institucional, até então fechados à atuação feminina.
Em 1907, concluiu seus estudos, muito jovem, aos quinze anos, formando-se professora na Escola Complementar de Itapetininga. Iniciou sua carreira no magistério no ano seguinte, em 1908, como substituta efetiva da Escola Modelo anexa à Normal de Itapetininga e, desde então, dedicou-se ao ensino público paulista. Em 1912, tornou-se substituta efetiva e adjunta no Grupo Escolar de São Manuel, transferindo-se para a capital no ano seguinte, em 1913, para lecionar no Grupo Escolar ‘Maria José’.
A decisiva investidura na missão mais alta e mais nobre – a de Educador. E, daí, a preocupação constante de dar o melhor que posso, até o sacrifício, para a educação da infância e da juventude de minha terra e o desejo de despertar, em todas as situações em que estive – professora primária ou secundária; diretora de Grupo Escolar, de Ginásio e Escola Normal, de suscitar, no coração de alunos e colegas, uma centelha desse entusiasmo.
Assim, profundamente imbuída da missão de formar almas e inteligências, na década de 1920 inicia nova etapa em sua experiência profissional, assumindo a cadeira de português na Escola Normal do Brás, entre 1920 e 1921 e, posteriormente, a carreira de diretora, organizando o Grupo Escolar Católico “São José”, localizado no Ipiranga, de 1923 a 1931 e o Grupo Escolar Erasmo Braga (o segundo grupo escolar da Consolação), em 1932. Percurso que culminou em sua nomeação, em 1935, para dirigir a escola primária anexa ao Instituto de Educação – nova denominação da Escola Normal da Praça da República – e auxiliar Fernando de Azevedo, então diretor do Instituto11. Função na qual permaneceria por quatro anos até que os acontecimentos a levassem a acumular o cargo, dirigindo, também, a escola normal.
Assim, em 18 de março de 1939, nove meses após a extinção do Instituto de Educação, Carolina Ribeiro assumiu, também, a direção da Escola Normal da Praça. Suas práticas à frente desta escola, remetem-nos a uma educadora politizada, uma mulher engajada em seu tempo. Em entrevista concedida ao “Jornal de São Paulo”, fala sobre a história da escola normal no ano do centenário do ensino normal paulista, em 1946, na posição de presidente da comissão organizadora dos eventos comemorativos. Este tema (história da escola normal paulista) e o das reformas educativas seriam os principais objetos de seus discursos.
Em 18/03/1939, foi nomeada diretora da escola normal, sob a nova denominação: “Escola ‘Caetano de Campos’”.
Em sua vida pública, paralelamente aos postulados pedagógicos que incorporou nos projetos realizados na escola paulista e que deixou como seu legado para gerações futuras, essa professora e diretora de escola primária e de escola de formação de professores, participou ativamente de mobilizações de caráter regional e nacional vinculadas a movimentos cívicos e de entidades católicas ligadas à educação. Católica fervorosa era movida por um civismo cristão baseado na solidariedade, no sentimento filantrópico e na assistência social, expressos nos projetos sociais e educacionais que liderou paralelamente à sua atuação político-pedagógica na escola, no período da mais intensa renovação do ensino.
A professora Carolina vinculou-se a duas associações católicas. Na Liga do Professorado Católico (criada em 1919) foi membro e militante e, na Liga das Senhoras Católicas, foi professora de 1930 a 1932. Em sua produção intelectual somam-se entrevistas a jornais de grande circulação, conferências, palestras e artigos publicados em revistas de educação e de filiação católica. Foi autora de letras de hinos, como o Hino da Cruz Vermelha Brasileira, o Hino das Normalistas e de despedida dos pracinhas.
Dirigiu os serviços de assistência às famílias dos combatentes da revolução de 1932 e incentivou, na escola primária, as campanhas contra a tuberculose, os serviços de atendimento às crianças carentes e voltados à orientação às suas famílias, como o Serviço do Lanche Sadio e o Centro de Puericultura, denominados “instituições auxiliares da escola”.
Escreveu ainda, poesias infantis, comédias e alegorias. Publicou as obras: A Educação extraescolar, Centenário do Ensino Normal – Poliantéia e O Ensino em São Paulo através da História. Recebeu o Prêmio Roquete Pinto, em 1978, como educadora emérita. Em 1982, ano de sua morte, foi homenageada, com busto esculpido em bronze pelo artista plástico, Luiz Morrone.

O monumento, instalado na Praça da República, na mesma data, trazia a seguinte inscrição:
 “Homenagem do povo de São Paulo à educadora emérita”. Ato simbólico que consolidou seu nome na galeria dos grandes paulistas.








                   Fonte.

RIBEIRO, C.,A Presença da Mulher em 32. In: CINQUENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE1932. São Paulo: Secretaria de Estado da Educação,1982,180p.




Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
03/02/2017


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Cartas de Paulo de Moraes Barros.


Entre as muitas correspondências recebidas por meu avô, de grandes nomes da política nacional, selecionei duas que me chamaram a atenção, um cartão por conter assuntos relacionados a Revolução de 1932, e outra onde Dr. Paulo de Moraes Barros faz muitos elogios a ele, o que muito nos honra.



Frente do cartão




Verso.



Dr. Paulo de Moraes Barros escreveu em “cartão de visita” o seguinte:

"Ao velho amigo Joaquim Norberto e a D. Ambrosina.
O Paulo de Moraes e Sinhá enviam cordial e saudoso abraço de despedidas. Não se esqueçam que S. Paulo não foi vencido. O que vale agora é a voz das trincheiras.
Pergunte aos seus valentes rapazes e distribuam com eles mais abraços nossos.
Tudo por S. Paulo unido!
Rio – 5-12-1932."









A carta enviada ao Cel. Joaquim Norberto de Toledo.






Alguns dados biográficos de Dr. Paulo de Moraes Barros:

Nascido em Piracicaba em 16/07/1866 e falecido em São Paulo em 16/12/1940. Médico, político, agricultor, senador, ministro. 1ª Núpcias com Elisa de Salles, falecida em Berlim em 1911, filhos: Cora, Helena e Paulo. 2ª Núpcias com Maria Luiza Quirino dos Santos. Era filho do senador Manoel de Moraes Barros e Maria Inês da Silva Gordo de Moraes Barros e sobrinho de Prudente de Moraes.
Formou-se em 1888 pela faculdade de medicina do Rio de Janeiro e no ano seguinte voltou a Piracicaba, instalando consultório a rua São José. Vereador, foi presidente da Câmara em várias legislaturas e exerceu o cargo do inspetor sanitário, liderando o combate as epidemias. Fez parte do corpo clinico da Santa Casa de Misericórdia local e participou como membro da Irmandade desta.
Exerceu vários postos elevados no governo do Estado e Federal. Foi intendente municipal em Piracicaba e chefiou o partido republicano da cidade. Em 1905-06 permaneceu na Europa em companhia da esposa, gravemente enferma. No segundo governo paulista de Rodrigues Alves, foi secretário da agricultura do estado. Esteve no oriente em fins de 1916 e representou o Brasil no congresso Algodoeiro de Viena e no congresso de Emigração em Roma.
       De maio de 1924 a janeiro do ano seguinte, permaneceu no Egito, para estudos sobre produção do algodão, a serviço do Ministério da Agricultura. Um dos fundadores do Partido Democrático, foi deputado federal em 1909-11 e 1927-29, senador, ministro da agricultura, ministro do Estado da viação e obras públicas e secretario da fazenda de São Paulo. A fazenda Pau D´alho, de sua propriedade, acolheu como trabalhadores os primeiros imigrantes japoneses em Piracicaba, a 07/09/1918.
Participou da Revolução Constitucionalista de 1932. Como administrador de grandes empresas, esteve a frente da Moraes Barros e Irmãos, Companhia Cafeeira de Rio Feio e Tecelagem Paraíba. Cambiaghi registra que pertenceu ao doutor Paulo o primeiro automóvel a circular em Piracicaba. Tendo falecido em São Paulo, seu corpo foi transportado para sua cidade natal e sepultado no cemitério da saudade.
Em sua homenagem há uma avenida com seu nome no Bairro da Paulista, em Piracicaba.
(http://historia.camarapiracicaba.sp.gov.br/vereador/395paulo_de_moraes_barros


Fonte das imagens arquivo pessoal.


Sobre o Cel. Joaquim Norberto de Toledo veja mais em http://mmdcjaguariuna.blogspot.com.br/2016/10/cel-joaquim-norberto-de-toledo-e.html






Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
20/02/2017.


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

De 1932 uma Reflexão para os dias atuais.


Reportagem especial sobre a Revolução Constitucionalista de 1932.

O título acima foi usado por Ruy Martins Altenfelder Silva, num brilhante artigo para a revista Digesto Econômico, edição comemorativa dos 70 anos da Revolução Constitucionalista de 1932. Portanto, editada em 2002, de seu conteúdo nada precisa ser reescrito e continua atual. Vamos a ele.

Ruy Martins Altenfelder Silva

Cabe a nós, principalmente os homens e as mulheres da geração de 30 e 40, recordar o 9 de julho e contar a nossos filhos e netos o que foi o movimento de 1932 e seu verdadeiro significado.
Podemos trazê-lo como exemplo para os tempos atuais, como inspiração para desenvolver o sentimento de cidadania e contribuir para o bem de São Paulo e, consequentemente para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.
Relendo os discursos de Armando de Sales Oliveira, encontrei dois trechos sobre a Revolução de 1932 que merecem reflexão:
“À medida que o tempo passa, generaliza-se o julgamento da revolução paulista. Só um pequenino grupo persiste no propósito de denegri-la, de amesquinhá-la e até de ignorá-la. Esses homens, numa empresa impossível, investem contra uma montanha e tentam derrubá-la.”
“Movidos em determinado instante por um só impulso, os paulistas despertaram com súbita energia para uma fulgurante campanha de dignidade e de civismo. Alimentados por uma fé poderosa dissiparam com um largo gesto todas as dissensões, reuniram as forças de sua atividade criadora e de sua inteligência prática e fundiram-se numa perfeita, luminosa unidade. Foram, então, para o combate, sustentados pela febre que lhes batia nos pulsos e nas frontes. Uma a um, os paulistas levaram a sua pedra para montanha imperecível, que cimentaram com o generoso fermento de seu sangue. Quem não teria gravado no mais profundo da memória aquelas dias de transfiguração.”
Respondendo a questionamentos injustos sobre o papel da Revolução de 32, Armando de Sales Oliveira, continua:
“Ao pé desta montanha radiosa e inacessível irão em pensamento cantar seu hinos, numa constante renovação de amor, de esperança e de patriotismo, as gerações vindouras que ela alimentará com a lembrança de uma página de heroísmo nobilitante não somente para a história paulista, não somente para a história nacional, mas para a história da própria Humanidade.”
Mais adiante, evocando os heroicos bandeirantes ele afirma:
“O bandeirante sabe que serão inócuas as tentativas de adormecer a energia paulista dentro de um horrível imediatismo materialista e que os ideais de São Paulo, postos muito altos como o de todos os grandes povos, só se conquistarão através do esforço ininterrupto de gerações incontáveis. Ele sabe que São Paulo conserva tão íntegro o espírito construtor de seus antepassados e, mesmo quando se levantou numa revolução avassaladora, não fez senão uma revolução iminentemente construtiva e cívica. Ele sabe – o bandeirante – que São Paulo é grande!”

Faço questão de citar estes trechos dos discursos de Armando de Sales Oliveira e, ao mesmo tempo, invocar a Revolução de 1932 como exemplo para as novas gerações, porque penso que estamos vivendo uma revolução cívica. Penso que é o momento de cada um assumir uma postura de cidadão nesta verdadeira revolução pela ética na política, pelas profundas reformas estruturais de que o País precisa e que, no entanto, ficam apenas no terreno das boas intenções.
Todos nós, exercendo o legítimo direito – eu diria até a obrigação – de cidadão, devemos pressionar aqueles que têm responsabilidade no Congresso Nacional para que retomem o projeto das reformas estruturais de que o Brasil precisa: a reforma política, a reforma tributária (tão decantada e nunca realizada), a reforma previdenciária, a reforma administrativa, a reforma da arcaica legislação trabalhista, a reforma (iniciada, felizmente) da educação básica e do ensino profissionalizante, a reforma universitária, a reforma da saúde e a reforma da segurança pública – tudo isso desaguando na justiça social. Nós todos temos a responsabilidade de contribuir para que ela se faça o mais rápido possível.
O exemplo de 32 não pode ficar apenas na História. Deve ser sempre recordado, sempre reprisado, para que os paulistas possam, mirando-se no exemplo de 32, realizar, efetivamente, a revolução cívica de que o Brasil precisa para o bem de todos os brasileiros”.

Texto de Gerson Soares.

Da revista nº 8 da Academia Paulista de História.


Fonte.
Postado em Blog, História de São Paulo, Revolução de 1932
Quarta-feira, 9 de julho de 2014 às 16:20 h. 






Publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
10/02/2017.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

REPORTAGEM ESPECIAL – II.



O Sr. Izidoro Jacobson após tomar conhecimento, por meio da matéria publicada pelo Jornal Correio Popular de Campinas na coluna “Baú de Histórias”, sobre os Exploradores de Trincheiras de Jaguariúna e Pedreira, resolveu doar uma relíquia guardada por mais 80 anos. Um estojo com 21 projéteis de fuzil, usados pelo Exército Constitucionalista durante a Revolução de 1932.

Veja a matéria no link a seguir:




Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.


domingo, 5 de fevereiro de 2017

REPORTAGEM ESPECIAL – JAGUARIÚNA E PEDREIRA.



Neste domingo, 05 de fevereiro de 2017, o Jornal “Correio Popular” de Campinas em sua página “Baú de Histórias” publicou uma reportagem especial sobre os Exploradores de Trincheiras da Revolução Constitucionalista de 1932, na região de Jaguariúna, Pedreira e Itapira.
O repórter Gustavo Abdel, visitou o Explorador jaguariunense, Kleber Tanaka, que conquistou um belo acervo de peças encontradas na região de Jaguariúna, Pedreira e Itapira. Com dedicação as suas descobertas contam a história da Revolução de 32 nesta região.
Procurada pelo jornalista, como Presidente do “Núcleo de Correspondência Trincheiras Paulistas de 32 de Jaguariúna”, relatei alguns fatos ocorridos na região.

A matéria completa poderá ser visualizada a seguir, nas imagens publicadas no jornal:


Primeira página com a chamada da matéria.

















Agradecimento especial ao repórter Gustavo Abdel por valorizar a História da Revolução Constitucionalista de 32 em suas matérias e aos Exploradores de Trincheiras por manter esta atividade, por meio dela vão descobrindo relíquias que contam a história da Revolução, em especial a Kleber Tanaka, Paschoal Loner e Angelo Ribeiro.




Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.