Objetiva-se publicar biografias, histórias de vida e de batalhas relativas à Revolução de 1932. Caso saiba de algo, entre em contato. Para maiores informações envie mensagem à malusim53@yahoo.com.br.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A GUARDA NACIONAL.



A Guarda Nacional foi criada pela lei de 18 de agosto de 1831, em substituição às antigas milícias, a instituição existiu no Brasil desde logo após a Independência do Brasil, para cujo acontecimento muito direta e valiosamente concorreu.
Somente em 1850, com a promulgação da lei nº 602, de 19 de setembro desse ano, foi que teve regular e proveitosa organização, quer no Rio de Janeiro, antiga Côrte, quer nas províncias, sendo a qualificação de guardas, sua reunião periódica para revistas e instrução, obrigatória e geral.
“Os serviços relevantíssimos que seus batalhões prestaram durante a Guerra que sustentávamos contra Solano Lopes, o tirano do Paraguai, escusamo-nos aqui relembrar, pois constituem páginas e passagens as mais brilhantes da história dessa luta heróica, dessa grandiosa e civilizadora guerra em que nos levamos empenhados durante o quinquênio de 1865 -1870. Qual força numérica de que dispunha o Exército permanente – a tropa de linha, nessa época?
Qual o número de força combatente que o Brasil manteve em pé de guerra dentro ou fora do território pátrio? O simples cotejo dessas cifras seria o bastante para aferirmos do valor, do respeito, do prestigio de que então gozava a Guarda Nacional, como força realmente existente, à qual pertenciam todos os brasileiros validos, sem distinção de classes ou posições sociais, não presentemente, extremamente simples obstante serem as suas fardas desprovidas de tantos doirados que as enfeitam presentemente, extremamente simples os seus armamentos e viaturas, mas transluzindo nelas a nobreza e o patriotismo, a bravura e heroicidade de nossos maiores, que, acima de todos os preconceitos e interesses, olhos fixos no Cruzeiro celestial, só tinham em mira a defesa da nossa soberania, da honra e brios pátrios, custasse-lhes embora o sacrifício da própria vida.” (Palavras do autor X.)

Terminada essa prolongada luta a Guarda Nacional ficou um tanto esquecida e estagnada, até que em 1893 com o início da Revolta da Armada, São Paulo conseguiu mobilizar, em poucos dias, vários batalhões o que muito contribuiu com a vitória do governo do Marechal Floriano Peixoto. Os serviços que a nossa Guarda Nacional prestou em defesa do Estado e também no Paraná foram os mais dedicados e relevantes.
Terminada esta luta civil a Guarda Nacional volta novamente a estagnação até 1904 quando um grupo de oficiais pertencentes à 55ª Brigada de Infantaria, composto pelos senhores: Cel. José Piedade, Capitães e doutores: João Pamphilo de Assunção, Fausto Dias Ferra e o Tenente Coronel Arthur Barbosa, tomou a missão de promover a constituição, na Capital, de uma associação de classe à qual foi denominada de “Club da Guarda Nacional de São Paulo”, cujo os principais fins consistiam na agremiação da oficialidade, sua instrução e a prestação do apoio moral e material para manter e assegurar-lhes a honras e prerrogativas que lhes eram atribuídas pelas leis vigentes.
Esta decisão dos oficiais foi acolhida com entusiasmo em todo o Estado, dela resultou a reorganização completa da Guarda Nacional em São Paulo, baseada pelo decreto de 8 de maio de 1905 e assim foi feito também nas principais comarcas do Estado.
Das quarenta brigadas existentes restaram apenas cinco compostas de oficialidade essencialmente brasileira e digna de vestir a honrosa farda.
Apesar dos problemas financeiros enfrentados pelos Clubes conseguiu honrar seus compromissos e ainda forneceu incentivo e encorajamento para a luta aos companheiros e associados do interior.
O Coronel Dr. José Brasil Paulista da Piedade deverá sempre ser lembrado e seu nome vinculado para sempre na história da Guarda Nacional pelos esforços dispendidos em toda a trabalhosa contingência de reorganização da Guarda Nacional neste Estado e não esquecendo também do nome do Coronel Dr. Carlos de Campos, seu digno antecessor no comando superior, que muito concorreu também, com seu prestigio moral e político para que se conseguisse levar a efeito a reorganização da Guarda Nacional em São Paulo.
Há de se lembrar de inúmeros nomes de oficiais de grande valor que faziam parte do corpo da Guarda Nacional entre eles Asdrubal do Nascimento, C. Klingelhofer, Raymundo Duprat, Theodoro Carvalho, Horta Junior, Rangel de Freitas, Francisco Amaro, Linneu Machado, Pamphilio de Assumpção, Brasilio Ramos, Fausto Ferraz, Octaviano Prado, Siqueira Campos, Aristides de Castro, Frederico Branco, Gomes Cardim, Fagundes, Silva Guimarães
O Quartel General do Comando Superior, com todas as repartições que lhes são dependentes funcionavam em um grande edifício à Rua do Carmo, 22, em seu 2º andar estava instalado o Clube da Guarda Nacional.

O texto acima foi baseado em matéria homenageando a Guarda Nacional, publicada no “Álbum Imperial” de 1906.
























A Guarda Nacional na cidade de São Pedro, SP.

A organização da Guarda Nacional em São Pedro deu-se a partir do ano de 1900. O conselho de classificação sob a presidência do Juiz de Paz, era responsável pela lista de cidadãos de boa conduta e responsabilidade, residentes na povoação: depois, essa lista era enviada à Câmara Municipal e, se aprovada, era enviada ao Presidente do Conselho Geral de Qualificação, para nomeação e emissão dos títulos.
A Guarda Nacional da Comarca de São Pedro – Batalhão de Infantaria 36 - foi assim formada:

COMANDO SUPERIOR:

- Coronel Comandante Superior Malachias Rogério de Salles Guerra
- Tenente Coronel Chefe do Estado Maior Joaquim Norberto de Toledo.
- Major Secretário Geral João Mendes Godoy.
- Major Ajudante de Ordena Henrique Pinto da Silva e
                                               Paulinho Teixeira Escobar.
- Major Quartel Mestre Salvador Mancini.
- Major Cirurgião Dr. Alfredo José Teixeira.
- Major Fiscal Antonio da Silveira Castro.
- Capitão Cirurgião Dr. Pedro Bourgogne.
- Capitão Ajudante Joaquim Moreira Coelho.
- Tenente Quartel Mestre Domingos Eurico Gomes.
- Tenente Ajudantes José de Paula Campos e
                                 Antonio José do Amaral Rocha.


PRIMEIRA COMPANHIA:

- Capitão Manoel Francisco Rodrigues Junior.
-Tenentes José de Almeida Castro e
                 Afonso Augusto de Andrade.
- Alferes João Antonio Pedroso e
               Bonifácio de Andrade Pereira Rodrigues.

                  Era composta ainda pela 2ª, 3ª, 4ª Companhia e mais 1ª, 2ª, 3ªe 4ª Companhia do Batalhão Reserva.



Carta Patente nomeando Joaquim Norberto de Toledo. (arquivo pessoal).



Detalhe da carta patente de Joaquim Norberto de Toledo.



Em 1892 a Guarda Nacional foi transferida para o Ministério da Justiça e Negócios Interiores e em 1918 passou a ser subordinada ao Ministério da Guerra, sendo incorporada como exército de 2ª linha, acabando diluída.
Sua última aparição pública foi no dia 7 de Setembro de 1922 no Rio de Janeiro participando em desfile da Independência do Brasil.




Fonte.

Revista Álbum Imperial, Guarda Nacional por X., ano I, nº 24, 20 de dez. de 1906, pág. 162.       

CHIARINI, A.R., Resenha  Histórica do Município de São Pedro, 2ª ed., Imprensa Oficial do Estado S/A, São Paulo1982, 86p.


Imagens arquivo pessoal.




Veja mais sobre a Guarda Nacional em São Pedro, SP.



Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
27/04/2017.


 [MHdTSM1]

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O Herói da Mantiqueira.







Entrevista do Coronel Mário da Veiga Abreu, cognominado o ‘Duque de Cunha”, publicada na revista “O Mundo Ilustrado” em julho de 1954.
Texto de Barbosa Nascimento.

“Cercado pelo carinho da filha e dos netos vive, hoje, numa casa ajardinada da rua Mario Barreto na Tijuca, um herói gaúcho da Revolução Constitucionalista de 1932. Dele disse ao repórter o General Bertoldo Klinger:
“- O Cel. Mário da Veiga Abreu foi um gigante no comando do Setor Mantiqueira”.
O Bravo militar, no decorrer da entrevista, que começou à noite e se prolongou pela madrugada do dia seguinte, feriu de frente todos os aspectos da epopéia paulista e frisou que a bandeira da liberdade desfraldada em 9 de Julho de 1932 continua tremulando como um sinal de alerta à consciência cívica dos brasileiros. Ponderou o Cel. Mário Abreu que a situação do Brasil é, atualmente, idêntica à daquela época.
- Vivemos num caos. E as comemorações programadas para o 9 de Julho, em São Paulo, constituem, evidentemente, uma advertência oportuna aos homens públicos dessa hora conturbada – objetivou o antigo comandante do Setor da Mantiqueira.

Página Honrosa.

O Cel. Mário da Veiga Abreu fora cognominado pelos seus companheiros da Revolução de Duque de Cunha. Homenagem dos revolucionários ao bravo da Mantiqueira. Ele relembra com modéstia os seus feitos, mas enaltece a coragem, o desprendimento e o estoicismo de seus comandantes e dos demais chefes da Revolução Constitucionalista. Não esconde, entretanto, o seu orgulho, quando alude às referências que a seu respeito fez o saudoso Armando Sales de Oliveira, em discurso pronunciado na cidade de Guaratinguetá, em 12 de outubro de 1934. Descrevendo os desesperados esforços que os revolucionários faziam para recompor a situação assinalada com êxito das forças governistas, lembra o Sr. Armando Sales a brilhante ação da tropa sob o comando do Cel. Mário da Veiga Abreu. É uma página que honra a qualquer um. Para o Duque de Cunha ela vale pelo seu maior galardão. Sua transcrição é necessária para edificação da História: “Para que nem tudo fosse sombra, uma rajada de alegria soprou mais ou menos na mesma ocasião sobre as trincheiras paulistas, a notícia de uma brilhante vitória no Setor Cunha. Na hora em que os adversários procuravam cortar a retaguarda de nossas forças, estas desencadearam um ataque brusco e firme. Conseguindo ocupar o espigão do Divino Mestre as nossas tropas impediam definitivamente qualquer incursão pela estrada de Parati a Cunha.
Os risonhos vales e as lombas suaves da Serra do Mar encheram-se do eco das aclamações que o povo paulista erguia – deslumbrando por aquele súbito luar na noite negra do seu tormento. A bela vitória foi dirigida e conquistada pelo Cel. Mário Abreu, Comandante do Setor. Não desejaria citar nenhum nome nesta leve evocação daqueles dias heróicos. Mas abrindo para o ilustre oficial uma exceção, eu presto uma homenagem aos homens de outros Estados que puseram a sua vida e o seu futuro em uma causa que, se era essencialmente brasileira, sob muitos aspectos só pertencia a São Paulo.

Fora da Política.

O antigo comandante do Setor da Mantiqueira foi revolucionário de 1922 e de 1930. Dois anos depois, desencantado com a conjuntura política do país compreendendo que havia sido postergados os ideais pelos quais lutou, desembainhou mais uma vez a sua espada para, ao lado do povo paulista, defender a lei. Ao término da gloriosa arrancada, integrou-se novamente na vida da caserna. Do Cel. Mário Abreu disse ainda Armando Sales de Oliveira:
“- Fiel aos ideais de servir o Exército como a mais poderosa força de coesão brasileira, ele se pôs à margem das lutas partidárias e subordina seus passos aos imperativos do dever patriótico!”
Eis, em síntese, o pensamento do Cel. Mário da Veiga Abreu:
“- A chama dos ideais da Revolução de 9 de Julho arde imperecível no coração dos paulistas em particular, e dos brasileiros em geral. Não foram em vão que centenas de vidas se perderam no Solo de Piratininga.”








Fonte.

Revista “O MUNDO ILUSTRADO”, nº 75, 7 de julho de 1954, pág. 33. (Arquivo pessoal).




Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
21/04/2017.



quarta-feira, 19 de abril de 2017

Índios na Revolução de 1932.


Nossa homenagem hoje será dirigida aos Índios Brasileiros Voluntários na Revolução Constitucionalista de 1932.



Índios Guaranis.

Nos livros sobre a Revolução Constitucionalista de 1932 pouco ou quase nada se relata sobre a participação dos Índios. 
A maioria dos voluntários Índios participaram da Revolução de 32 integrados aos Batalhões da Legião Negra. Participaram dos combates em trincheiras e também prestaram serviços de exploração de terrenos, comunicação, transporte, sapadores e junto aos bravos bombardas.
As principais frentes de combate da Legião Negra na guerra eram: Frente Leste (na divisa com o Rio de Janeiro); Frente Norte (divisa com Minas Gerais); Frente Oeste (divisa com Mato Grosso) e a Frente Sul (divisa com Paraná).
Alguns Índios vieram do Paraná e outros Estados.  Entre os participantes havia Índios Guaranis.
Os índios demonstraram excepcional fibra e coragem em todos os combates.


Pelotão da Legião Negra nos primeiros dias de instrução militar.






Sapadores.










Posse do Comandante Civil da Legião Negra.

















Índios acantonados.



Dia do Índio.

O dia do Índio no Brasil foi criado pelo Presidente Getúlio Vargas, através do decreto-lei 5540 de 1943.
O dia 19 de Abril foi sugerido pelos líderes indígenas do continente que participaram no México do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano.
O Brasil demorou um tempo para aderir ao instituto. Apenas com a intervenção do Marechal Rondon instituiu o dia 19 de Abril como dia do Índio.


Índios Guaranis Kaiowá.



Fonte.


bloghistoriacritica.blogspot.com.br

booksgoogle.com.br



http://www.cnlb.org.br/?p=619

Revista “O Cruzeiro” de 22 de outubro de 1932 (arquivo pessoal).
Revista “O Cruzeiro” de 12 de novembro de 1954 (arquivo pessoal).
Jornal “A Gazeta de 9 de julho de 1954 (arquivo pessoal).



Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
19/04/2017





sábado, 25 de março de 2017

Mulheres de 32 – II.


Olívia Guedes Penteado.

Adaptação do texto de Nelly Martins Ferreira Candeias *






“O que me extasiava era a sua disposição,
a sua coragem, a sua alegria,
sua simplicidade de alma,
seu amor pelo próximo, sua fé no Brasil.”
Prof. Goffredo da Silva Telles Jr.



A história oficial sempre relegou a participação da mulher na vida política e social do Brasil, enquanto que a historiografia atual procura resgatar sua presença nos acontecimentos histórico-sociais.
D. Olívia Guedes Penteado nasceu em Campinas, no Largo da Matriz Velha, em 12 de março de 1872. Era filha dos Barões de Pirapitingüy, Tenente – Coronel José Guedes de Souza, poderoso fazendeiro de café no Município de Mogi-Mirim, e de Dona Carolina Leopoldina de Almeida e Souza. Genuinamente paulista, sua descendência teve origem em Fernão Dias Pais Leme por sucessão direta. A família liga-se também a Amador Bueno, a Tibiriçá, o grande cacique de Piratininga, e a João Ramalho. Dona Olívia passou a infância na propriedade paterna, na Fazenda da Barra, em Vila Jaguary que pertencia à Mogi-Mirim, tendo estudado em casa com professores particulares e, durante algum tempo, no Colégio Bojanas. Posteriormente, a família transferiu-se para São Paulo, tornando-se o Barão de Pirapitingüy grande proprietário e capitalista. Aos dezesseis anos casou-se com seu primo, Ignácio Penteado, do ramo dos Penteados de Campinas, que acabara de regressar da Europa, onde permanecera por vários anos em viagens de lazer e estudo.
Por ocasião da revolução de 1924 ela chegou a abrigar em sua residência o poeta vanguardista suíço-francês Blaide Cendras das bombas que caíam na região.
A jovem lutou pelo voto feminino e ajudou a eleger a primeira mulher para uma constituinte.
Dona Olívia ingressou no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo no dia 6 de maio de 1932, poucos dias antes de eclodir a Revolução Constitucionalista, tendo sido a décima mulher a tomar posse nessa entidade: “o Sr. Presidente acentuou o brilho e imponência daquela noite, por motivo da posse de três ilustres representantes da intelectualidade feminina paulista – Olívia Guedes Penteado, Ana de Queiroz Teles Tibiriçá e Maria Xavier da Silveira”.

Dona Olívia em 1932

Preocupada com as condições das viúvas e órfãos de voluntários, D. Olívia trabalhou intensamente durante a Revolução de 1932, acompanhada por Carlota Pereira de Queiroz, que, graças a sua articulação e à de Pérola Byington, viria a ser a primeira deputada federal no Brasil. Prefeito de São Paulo durante esse período, Godofredo da Silva Telles, seu genro, assim se referiu à atuação de Dona Olívia no período da Revolução Constitucionalista.

“Durante o movimento constitucionalista de 1932, a sua esclarecida vontade e a imperturbável serenidade de ânimo que era o traço mais forte de sua personalidade, desempenharam importante papel: ela colaborou ativamente no trabalho de todas as senhoras paulistas em prol da causa que São Paulo defendia. Não poupou esforços nem sacrifícios. Tomou parte em todas as iniciativas femininas tendentes a minorar o sofrimento dos que combatiam, socorrendo as famílias que aqui haviam ficado e animando com sua confiança aos combatentes que embarcavam para a frente de combate. Mais tarde, findo o movimento, quando todos os paulistas se uniram pelo bem de São Paulo, para sufragar nas urnas aqueles que deviam ser os portadores de seu pensamento e da sua vontade na Assembléia Constituinte, ela continuava, com a mesma serenidade, no seu novo posto de animadora cívica, trabalhando nas primeira linhas de Chapa Única. Mas a energia batalhadora do seu coração não ultrapassou a luta. Saiu dela sem ressentimentos nem ódio. Voltou a ser aquela que tinha sido a vida inteira, sorridente e acolhedora, esquecida dos adversários da época”.

Diz seu neto, Goffredo da Silva Telles Jr.:

“Aqui lembrarei apenas que os ideais aparentes do movimento empolgaram a população – e que Olívia Penteado se empenhou em servi-los, de corpo e alma. Durante todo o tempo da luta, que foi um tempo heróico, de sacrifícios e de privações, ela assumiu o cargo de Diretora do Departamento de Assistência Civil. Sem qualquer hesitação, doou jóias valiosas, na ‘Campanha de Ouro para o Brasil’, destinada a reforçar os fundos necessários à manutenção das frentes de combate. Depois, no ano seguinte, nas eleições gerais de 1933, minha avó lançou e apadrinhou a candidatura de Carlota Pereira de Queiroz, médica, à Assembléia Nacional Constituinte e ao Congresso Nacional. Doutora Carlota foi a primeira mulher a ser deputada federal no Brasil “.

Para que não se esqueça, parece-nos interessante reproduzir, aqui, parte da bela oração proferida por D. Olívia Guedes Penteado durante a Revolução Constitucionalista:

Às Mulheres Brasileiras

 “(…) Não há terra como o nosso Brasil. Nós paulistas o sabemos. E, portanto, quando tomamos armas contra os opressores de nossa terra, sabemos e sentimos que não estamos dando combate a nossa pátria. Longe de nós ter qualquer rancor contra os nossos irmãos dos outros Estados. A luta que travamos é contra a opressão, contra o erro, contra o crime. (…) Quem se bate pelo regime da justiça, da liberdade e do direito, será sempre apontado na história da nossa terra, como o defensor da verdadeira, da suprema causa da nacionalidade. Esta causa – vós já sabeis – é a causa da Lei. Temos a certeza de que nossos filhos, que ora seguem frementes de entusiasmo sagrado, poderão em breve, ó brasileiras de todos os estados, abraçar os vossos filhos, que, também constitucionalistas, os esperam com a mesma vibração, a fim de que, juntos, irmãos e brasileiros, possam gritar a quarenta milhões de brasileiros – Tendes agora a Lei! Viva o Brasil!”

A morte de Dona Olívia

Dona Olívia faleceu no dia 9 de junho de 1934, vítima de apendicite, após um mês de penoso sofrimento. Foi assistida por sua amiga, Carlota Pereira de Queiroz, e por Aluysio de Castro, médico vindo especialmente do Rio de Janeiro para acompanhá-la, e que assim se expressou a respeito daquelas horas amargas:

“Há sempre no fim de uma grande vida um grande exemplo. Os que assistiram a Dona Olívia Penteado nas suas derradeiras horas, puderam contemplar, na fortaleza e na candura do seu ânimo, alguma coisa grandiosa, como quando a graça divina se reverbera na expressão humana”.

Seu esquife foi carregado em mãos dos acompanhantes, que o levaram pelas ruas de São Paulo. “Constitui uma tocante e expressiva consagração a homenagem que S. Paulo prestou, na tarde de anteontem, à memória de D. Olívia Guedes Penteado, por ocasião de seu sepultamento” (O Estado de São Paulo, 12 de junho de 1934, Falecimentos).

Recorda Goffredo da Silva Telles Jr:

“Havia uma silenciosa multidão na nossa rua, diante de nossa casa. Quando saímos com o caixão e o entregamos aos bombeiros, para que eles o colocassem lá em cima, no carro, sentimos um movimento do povo, uma aproximação compacta de gente, em torno de nós. (…) E então vimos o total inesperado. O povo silenciosamente se assenhorou do esquife embandeirado. Homens desconhecidos, segurando as alças do féretro, puseram-se a caminho. E o levaram, na força de seus braços, pelas ruas de São Paulo, até a sepultura distante, no Cemitério da Consolação. A multidão anônima seguiu atrás. E dispersou ao fim do enterro. Que povo era aquele? Eu não sei; ninguém sabe, nem saberá jamais”.

Foi sepultada no Cemitério da Consolação, na Rua 35, túmulo 1, ao lado de seu marido. O túmulo é encimado por uma escultura de Brecheret, “A descida da Cruz”, obra adquirida por ela em Paris, no Salão do Outono, em 1923. Logo após a sua morte, Guilherme de Almeida, na Seção que mantinha em O Estado de São Paulo, fez-lhe uma bela e sentida homenagem:

“(…) Dona Olívia era o poema da vida. A idéia da vida, o ritmo da vida e a beleza da vida entrelaçavam-se, nela, tão essencialmente bem, que ela impunha a vida, como um poema impõe a verdade que defende, por menos verdadeira que seja essa verdade. (…) Ella apenas encontrou, no seu aparente desaparecimento, uma nova forma de viver…”

Guy

Assim a relembrou Maria de Lourdes Teixeira:

“Essa figura nobilíssima de mulher, bela, fidalga e ultracivilizada, ficará em nossa história literária e artística como uma das inteligências precursoras que emergiram da sociedade “ancien régime” para a compreensão de um Brasil novo construído por uma mentalidade nova”.

Dona Olívia foi uma mulher excepcional, cujo talento e brilhante atuação se refletem em vários momentos da história da atuação cívica e cultural no Brasil. Seu estilo de vida, provocando encontros e desencontros, abriu um espaço verdadeiramente comum aos homens e às mulheres de seu tempo, fazendo com que a igualdade dos direitos humanos e das oportunidades, pelas quais lutava discretamente, passassem a eliminar a diferença das identidades que retardavam a emancipação feminina. Jamais será esquecida porque lutou contra os preconceitos do seu tempo.

Foi uma Mulher Paulista!


*Nelly Martins Ferreira Candeias é professora aposentada da Faculdade de Saúde Pública e Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.



Família Guedes, da esquerda para a direita: José, Alfredo, Baronesa e Barão de Pirapitinguy,
 tendo em seu colo Altimira, sentada no banco Carolina, em pé apoiada Olívia e Mário





Seus irmãos: Albertina Guedes Nogueira, Carolina, Olívia, Altimira e José Guedes.





Olívia Guedes Penteado.





Túmulo de Olívia e seu marido encimado por escultura de Brecheret, "A Descida da Cruz".




Fonte.

Disponível em:





Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
25/03/2017.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Homenagem ao Sr. Pedro Abrucês.






É com grande tristeza que comunico o falecimento do Sr. Pedro Abrucês, simpatizante da Revolução Constitucionalista de 32, ferroviário, político, apaixonado pela vida, pelas artes, historiador pela vivência e pela sabedoria.
O Núcleo de Correspondência “Trincheiras Paulistas de 32 de Jaguariúna” homenageia esta grande personalidade que foi o Sr. Pedro Abrucês.
Faleceu nesta madrugada de 13 de março de 2017, será velado a partir das 9:00h e seu sepultamento está marcado para as 16:00h, no Cemitério de Jaguariúna.
Meus sinceros pêsames aos familiares.


Maria Helena de Toledo Silveira Melo.

quarta-feira, 8 de março de 2017

MULHERES DE 32 EM FOTOGRAFIAS!



Neste dia em que se comemora o “Dia Internacional da Mulher”, quero homenagear as Mulheres de 32, pois foram de vital importância na Revolução Constitucionalista de 1932, tanto na retaguarda como também nas trincheiras.

Nas fotografias as grandes heroínas de 32: as que empunharam armas e foram para as frentes das batalhas, como Maria Stela Sguassabia e Maria Soldado, entre outras e as grandes mulheres que estiveram na retaguarda desenvolvendo um trabalho primordial, para o bem dos Soldados Constitucionalistas e de suas famílias. As mulheres estiveram presentes desde os primeiros dias do movimento e assim permaneceram até o final.






Mulheres nas ruas centrais de São Paulo em manifestação durante a primeira
semana do movimento. Fot. Revista "A Cigarra" (Arquivo pessoal)





Fot. Revista "Cinelândia" (Arquivo Pessoal).





















Fot. Revista "O Cruzeiro", 22/10/1932. (Arquivo pessoal)








Maria Soldado no hasteamento da Bandeira em comemoração ao
9 de Julho, recebeu o título Mulher Símbolo de 32, (Fot. Jornal)



Fot. blogs.estadão.com.br




Mulheres Índias.




Mulheres na despedida no embarque do Batalhão da "Legião Negra".

As Mulheres da “Legião Negra”, em sua maioria, alistavam-se como enfermeiras ou cozinheiras e acompanhavam seus maridos nos campos de combate. 


Em 9 de Julho de 1954, D. Chiquinha, antiga escrava com 120 anos, hasteou a
Bandeira Paulista na Alvorada no Pátio do Colégio.
Fot. Revista Mundo Ilustrado, 14/07/1954. (arquivo pessoal)




Alunas do Colégio Caetano de Campos confeccionaram Bandeira brasileira
em comemorações de 9 de Julho.





Publicado em Jornal  solicitação do Gal. Herculano de Oliveira Carneiro, para que Maria de Almeida
 Silveira fosse inumada no Mausoléu ao Soldado Constitucionalista. (arquivo pessoal).



Na lista oficial de 890 nomes que se encontram no Mausoléu ao Soldado Constitucionalista, encontrei apenas o nome de duas mulheres: Maria José Barroso a Maria Soldado e Maria Dulce Magalhães Pinto Alves da Associação Cívica Feminina.





Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
07/03/2017.