Objetiva-se publicar biografias, histórias de vida e de batalhas relativas à Revolução de 1932. Caso saiba de algo, entre em contato. Para maiores informações envie mensagem à malusim53@yahoo.com.br.

domingo, 21 de maio de 2017

A JUVENTUDE CONSTITUCIONALISTA DE 1932.

                   

                       23 de Maio, Dia da Juventude Constitucionalista.



Heróis Paulistas.



22 de Maio de 1932 o povo e políticos estavam indignados com os últimos acontecimentos políticos.
Por toda São Paulo oradores inflamados pediam a derrubada do Governo Provisório.
Na Praça Patriarca discursos inflamados são proferidos por Ibrahim Nobre, José Lefevre, Gomes Martins, Dario Ribeiro Filho, Pereira Lima entre outros o que levou a multidão exaltada seguir em marcha pelas ruas centrais.

Entre as muitas ocorrências, e já no dia seguinte, a multidão estava descontrolada, indignada o que culminou com um tiroteio até as 4:15 da manhã de 24 de maio!
No chão, na esquina da Rua Barão de Itapetininga com a Praça da República, estão mortos os jovens Euclides Bueno Miragaia, Antonio Américo de Camargo Andrade, Dráusio Marcondes de Sousa com apenas 14 anos. Gravemente ferido por balas de metralhadora Mário Martins de Almeida, que faleceu ao ser removido para o pronto socorro. Feridos também, Jacinto de Oliveira Alvarenga e Orlando de Oliveira.
Horas depois as iniciais dos nomes dos mortos formaram a sigla da Sociedade que foi forja e martelo da Revolução Constitucionalista de 1932.






“O grito em favor da lei, da liberdade e da justiça operou o milagre, galvanizou as consciências ainda dúbias, incertas. A ressurreição de Piratininga expressava a ressurreição do Brasil. Rompeu a alvorada de 23 de Maio. Tinha o ideal dos paulistas, o condutor sereno e decidido: Pedro de Toledo.
Na ancianidade, ao esplendor dos cabelos brancos, encarnava ele a nossa coluna de fogo a levar-nos à luta orientada pela divisa do Brasão da Revolução Constitucionalista: “Pro Brasilia fiant eximia!” (Pelo Brasil, faça-se o melhor). Para a glória do emancipado da opressão e do despotismo, São Paulo se punha em marcha, ombro a ombro, com Mato Grosso, com a ajuda de brasileiros vindos dos mais longínquos rincões da Pátria comum.”








A movimentação do povo pelas ruas de São Paulo.









A multidão nas manifestações.












A lei 12.430, de 20 de junho de 2011, inscreveu os nomes de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, Heróis Paulistas da Revolução Constitucionalista de 1932, no Livro dos Heróis da Pátria.


Detalhe do cartaz dos Heróis Paulistas - MMDC



O Núcleo de Correspondência” Trincheiras Paulistas de 32 de Jaguariúna”, honra a todos os Heróis da Revolução Constitucionalista de 1932, Jovens Soldados Constitucionalistas. Que suas histórias de vida fiquem gravadas para sempre e que sirvam de exemplo para gerações futuras, por seus feitos, coragem, civismo, solidariedade e lealdade.



Fonte.

Jornal “A Gazeta” de 8 de julho de 1958, 9 de julho 1957, 9 de julho 1954. (Arquivo pessoal).

DONATO, H, A Revolução de 32, Ed. Círculo do Livro S.A., São Paulo 1982. 225 p.



Publicado e editado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.




sábado, 13 de maio de 2017

ÀS MÃES.


Carta de um Soldado Constitucionalista à sua mãe.


Tenente Mário Dallari.




O Tenente Mário Dallari, no dia em que partiu para o front, enviou à sua mãe e aos seus familiares, que estavam em Serra Negra, uma carta, que a família guardou com o maior carinho.
A sua leitura é indispensável, para que possamos ouvi-las e tomá-las como exemplo das grandezas dos ideais do grande herói constitucionalista.
É este o texto da carta de despedida do jovem tenente:


“Bendita e adorada mãe, querido pai, inesquecíveis irmãos, sobrinhos e cunhados:
A Deus peço ter-vos sob a sua bendita guarda. Talvez, antes do meu coração, ao chegar estas linhas em vossas mãos, já o meu corpo se corrompa na podridão esfalecedora dos vermes asquerosos, ou talvez ainda eu esteja me batendo pela causa sacrossanta de São Paulo e no nosso amado Brasil.
Se vos endereço esta carta, no dia de minha partida para o front, é para pedir-vos perdão pelos desgostos que vos tenho dado e dizer-vos que, se parti para a frente de batalha, não foi por falta de conselhos dos meus queridos amigos Aurélio Leme de Abreu, Dr. Nelson, Roque, dona Ainda e meu tio Ferrúcio, que me pediram muita prudência para tomar essa decisão.
Parti porque assim me ordenava o coração e assim exigem os meus brios de paulista e de brasileiro. Levo sobre o meu coração a medalha que minha abençoada mãe me deu, quando deixei minha casa para servir o Exército.
Se, por ventura, uma bala me ferir e eu tenha tempo, beijarei a imagem do Sagrado Coração de Jesus, da medalha, e pedirei perdão a meu pai, e o Sagrado Coração de Maria Santíssima, como sendo minha mãe.
Não culpem ninguém por este meu ato. Se eu morrer, sentir-me-ei honrado, morrendo por São Paulo e pelo Brasil.
Lembranças minhas aos padrinhos Filipe e Maria José e aceitem um forte abraço do filho que vos pede a bênção, do irmão, tio e cunhado, Mário.
Viva São Paulo. Viva o Brasil. Viva a Democracia.
São Paulo, 13 de julho de 1932”.


O bravo serrano Mário Dallari, que, pela sua coragem e espírito guerreiro, foi logo promovido ao posto de 2.º tenente, morreu no dia 10 de setembro, quando, comandando um pelotão, tentava a travessia do Rio da Almas, na região de Itapetininga.
O povo de Serra Negra, homenageando o seu herói, providenciou o traslado do seu corpo para esta cidade e ofereceu-lhe um artístico túmulo, no cemitério local.
Bem mais tarde, os restos mortais do herói foram removidos para o Mausoléu do Soldado Constitucionalista, sob o grande obelisco do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, onde repousa ao lado dos companheiros que doaram suas vidas pelos mais nobres ideais de amor à Liberdade, defesa da Constituição e do Estado de Direito.
Repitamos, pois, as derradeiras palavras do Tenente Mário Hilário Dallari aos seus familiares:
— Viva São Paulo!
— Viva o Brasil!
— Viva a Democracia!







Para Sempre

Carlos Drummond de Andrade


Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
Mãe a procura do filho entre prisioneiros de guerra que retornam.
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.






O Núcleo de Correspondência “Trincheiras Paulistas de 32 de Jaguariúna, deseja um Feliz Dia Das Mães!!!!!






Fonte.

https://familysearch.org/photos/artifacts/19955541
Artigo publicado pelo jornal “O Serrano”, edição do dia 8 de julho de 2011.

MONTENEGRO, B; WEISSHON, A.A. (org.) CRUZES PAULISTAS: os que tombaram em 1932 pela gloria de servir São Paulo: Empresa Gráfica da Revista dos Tribunais, 1936. 516p.
                                         
www.hypeness.com.br, acesso em 2017.






Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
13/07/2017

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Crianças de 32.



“SE FOR PRECISO, EU TAMBÉM VOU!”


Com o início da luta armada, alguns batalhões foram criados por categoria especificas, como os Batalhões: dos Universitários, dos Comerciantes, dos Operários, dos Esportistas e também os das crianças, os Batalhões Infantis.
Muitos destes Batalhões Infantis foram formados nas escolas, como atividades extraescolares coordenadas por professores simpatizantes do movimento e em apoio às tropas. As crianças participaram também por meio de batalhões criados espontaneamente pelos bairros da capital e do interior, como exemplo o “Batalhão 7 de Setembro da Mooca”.
Os Batalhões Mirins desfilavam com cartazes e faixas com dizeres de incentivo aos soldados e familiares. Algumas das frases usadas que ficaram mais marcantes: “Tudo por São Paulo e o Brasil”, “Constituição ou morte!”, Estamos prontos para partir junto ao Catete” e a mais famosa e comovente “Se for preciso, eu também vou!”.
Algumas crianças chegaram a ir para as frentes de combate como o garoto, Oscar Rodrigues, trabalhava no M.M.D.C. em São Paulo e partiu escondido, como ele muitos outros foram para o front. Confirmando o dístico dos Batalhões Infantis: “Se necessário também iremos!”
Os escoteiros também participaram ativamente do movimento, como auxiliares nas Casas dos Soldados, junto à Cruz vermelha e outras tarefas mais arriscadas como a de mensageiros onde tinham que enfrentar tiroteios e escapar de bombardeios aéreos. Alguns chegando a dar a própria vida como foi o caso do garoto de Campinas, Aldo Chioratto de apenas 10 anos o qual faleceu ao ser atingido durante um bombardeio provocado por aviões, os vermelhinhos.
A infância de São Paulo participou do grande movimento. O ideal revolucionário não tinha limite de idade e o entusiasmo dos adultos se transferia, na mesma escala, as crianças que viam nos pais e irmãos o exemplo a seguir na luta onde se exigia de cada um o máximo de sacrifício pela vitória sobre as forças de opressão e violência, “Se for preciso, eu também vou!” era o lema que punha na reserva a tenra geração bandeirante.
A geração-mirim não ficou ausente. Herança de coragem e de fé nos ideais de liberdade, que jamais morrerão em São Paulo!









Crianças em desfile apoiando os soldados que partiam para o front.










Oscar Rodrigues.














Participação das crianças nas atividades dos soldados.







Homenagem das crianças à Cruz  Vermelha e aos Soldados Constitucionalistas.






Aldo Chioratto.





Na despedida, o exemplo a seguir.





Fonte.


Revistas, acervo pessoal:

 “Manchete” – Especial A História de uma Revolução,10 de jul.de 1954.

 “Mundo Ilustrado” – Especial A Epopéia Paulista de 32, nº 75, 7 de jul. de 1954.

 “Mundo Ilustrado”, Especial sobre Revolução de 1932, nº 28, 10 de jul. de 1956.

Publicação “Constitucionalista – 80 Anos da Revolução de 1932” - Câmara do Deputados.




Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A GUARDA NACIONAL.



A Guarda Nacional foi criada pela lei de 18 de agosto de 1831, em substituição às antigas milícias, a instituição existiu no Brasil desde logo após a Independência do Brasil, para cujo acontecimento muito direta e valiosamente concorreu.
Somente em 1850, com a promulgação da lei nº 602, de 19 de setembro desse ano, foi que teve regular e proveitosa organização, quer no Rio de Janeiro, antiga Côrte, quer nas províncias, sendo a qualificação de guardas, sua reunião periódica para revistas e instrução, obrigatória e geral.
“Os serviços relevantíssimos que seus batalhões prestaram durante a Guerra que sustentávamos contra Solano Lopes, o tirano do Paraguai, escusamo-nos aqui relembrar, pois constituem páginas e passagens as mais brilhantes da história dessa luta heróica, dessa grandiosa e civilizadora guerra em que nos levamos empenhados durante o quinquênio de 1865 -1870. Qual força numérica de que dispunha o Exército permanente – a tropa de linha, nessa época?
Qual o número de força combatente que o Brasil manteve em pé de guerra dentro ou fora do território pátrio? O simples cotejo dessas cifras seria o bastante para aferirmos do valor, do respeito, do prestigio de que então gozava a Guarda Nacional, como força realmente existente, à qual pertenciam todos os brasileiros validos, sem distinção de classes ou posições sociais, não presentemente, extremamente simples obstante serem as suas fardas desprovidas de tantos doirados que as enfeitam presentemente, extremamente simples os seus armamentos e viaturas, mas transluzindo nelas a nobreza e o patriotismo, a bravura e heroicidade de nossos maiores, que, acima de todos os preconceitos e interesses, olhos fixos no Cruzeiro celestial, só tinham em mira a defesa da nossa soberania, da honra e brios pátrios, custasse-lhes embora o sacrifício da própria vida.” (Palavras do autor X.)

Terminada essa prolongada luta a Guarda Nacional ficou um tanto esquecida e estagnada, até que em 1893 com o início da Revolta da Armada, São Paulo conseguiu mobilizar, em poucos dias, vários batalhões o que muito contribuiu com a vitória do governo do Marechal Floriano Peixoto. Os serviços que a nossa Guarda Nacional prestou em defesa do Estado e também no Paraná foram os mais dedicados e relevantes.
Terminada esta luta civil a Guarda Nacional volta novamente a estagnação até 1904 quando um grupo de oficiais pertencentes à 55ª Brigada de Infantaria, composto pelos senhores: Cel. José Piedade, Capitães e doutores: João Pamphilo de Assunção, Fausto Dias Ferra e o Tenente Coronel Arthur Barbosa, tomou a missão de promover a constituição, na Capital, de uma associação de classe à qual foi denominada de “Club da Guarda Nacional de São Paulo”, cujo os principais fins consistiam na agremiação da oficialidade, sua instrução e a prestação do apoio moral e material para manter e assegurar-lhes a honras e prerrogativas que lhes eram atribuídas pelas leis vigentes.
Esta decisão dos oficiais foi acolhida com entusiasmo em todo o Estado, dela resultou a reorganização completa da Guarda Nacional em São Paulo, baseada pelo decreto de 8 de maio de 1905 e assim foi feito também nas principais comarcas do Estado.
Das quarenta brigadas existentes restaram apenas cinco compostas de oficialidade essencialmente brasileira e digna de vestir a honrosa farda.
Apesar dos problemas financeiros enfrentados pelos Clubes conseguiu honrar seus compromissos e ainda forneceu incentivo e encorajamento para a luta aos companheiros e associados do interior.
O Coronel Dr. José Brasil Paulista da Piedade deverá sempre ser lembrado e seu nome vinculado para sempre na história da Guarda Nacional pelos esforços dispendidos em toda a trabalhosa contingência de reorganização da Guarda Nacional neste Estado e não esquecendo também do nome do Coronel Dr. Carlos de Campos, seu digno antecessor no comando superior, que muito concorreu também, com seu prestigio moral e político para que se conseguisse levar a efeito a reorganização da Guarda Nacional em São Paulo.
Há de se lembrar de inúmeros nomes de oficiais de grande valor que faziam parte do corpo da Guarda Nacional entre eles Asdrubal do Nascimento, C. Klingelhofer, Raymundo Duprat, Theodoro Carvalho, Horta Junior, Rangel de Freitas, Francisco Amaro, Linneu Machado, Pamphilio de Assumpção, Brasilio Ramos, Fausto Ferraz, Octaviano Prado, Siqueira Campos, Aristides de Castro, Frederico Branco, Gomes Cardim, Fagundes, Silva Guimarães
O Quartel General do Comando Superior, com todas as repartições que lhes são dependentes funcionavam em um grande edifício à Rua do Carmo, 22, em seu 2º andar estava instalado o Clube da Guarda Nacional.

O texto acima foi baseado em matéria homenageando a Guarda Nacional, publicada no “Álbum Imperial” de 1906.
























A Guarda Nacional na cidade de São Pedro, SP.

A organização da Guarda Nacional em São Pedro deu-se a partir do ano de 1900. O conselho de classificação sob a presidência do Juiz de Paz, era responsável pela lista de cidadãos de boa conduta e responsabilidade, residentes na povoação: depois, essa lista era enviada à Câmara Municipal e, se aprovada, era enviada ao Presidente do Conselho Geral de Qualificação, para nomeação e emissão dos títulos.
A Guarda Nacional da Comarca de São Pedro – Batalhão de Infantaria 36 - foi assim formada:

COMANDO SUPERIOR:

- Coronel Comandante Superior Malachias Rogério de Salles Guerra
- Tenente Coronel Chefe do Estado Maior Joaquim Norberto de Toledo.
- Major Secretário Geral João Mendes Godoy.
- Major Ajudante de Ordena Henrique Pinto da Silva e
                                               Paulinho Teixeira Escobar.
- Major Quartel Mestre Salvador Mancini.
- Major Cirurgião Dr. Alfredo José Teixeira.
- Major Fiscal Antonio da Silveira Castro.
- Capitão Cirurgião Dr. Pedro Bourgogne.
- Capitão Ajudante Joaquim Moreira Coelho.
- Tenente Quartel Mestre Domingos Eurico Gomes.
- Tenente Ajudantes José de Paula Campos e
                                 Antonio José do Amaral Rocha.


PRIMEIRA COMPANHIA:

- Capitão Manoel Francisco Rodrigues Junior.
-Tenentes José de Almeida Castro e
                 Afonso Augusto de Andrade.
- Alferes João Antonio Pedroso e
               Bonifácio de Andrade Pereira Rodrigues.

                  Era composta ainda pela 2ª, 3ª, 4ª Companhia e mais 1ª, 2ª, 3ªe 4ª Companhia do Batalhão Reserva.



Carta Patente nomeando Joaquim Norberto de Toledo. (arquivo pessoal).



Detalhe da carta patente de Joaquim Norberto de Toledo.



Em 1892 a Guarda Nacional foi transferida para o Ministério da Justiça e Negócios Interiores e em 1918 passou a ser subordinada ao Ministério da Guerra, sendo incorporada como exército de 2ª linha, acabando diluída.
Sua última aparição pública foi no dia 7 de Setembro de 1922 no Rio de Janeiro participando em desfile da Independência do Brasil.




Fonte.

Revista Álbum Imperial, Guarda Nacional por X., ano I, nº 24, 20 de dez. de 1906, pág. 162.       

CHIARINI, A.R., Resenha  Histórica do Município de São Pedro, 2ª ed., Imprensa Oficial do Estado S/A, São Paulo1982, 86p.


Imagens arquivo pessoal.




Veja mais sobre a Guarda Nacional em São Pedro, SP.



Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
27/04/2017.


 [MHdTSM1]

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O Herói da Mantiqueira.







Entrevista do Coronel Mário da Veiga Abreu, cognominado o ‘Duque de Cunha”, publicada na revista “O Mundo Ilustrado” em julho de 1954.
Texto de Barbosa Nascimento.

“Cercado pelo carinho da filha e dos netos vive, hoje, numa casa ajardinada da rua Mario Barreto na Tijuca, um herói gaúcho da Revolução Constitucionalista de 1932. Dele disse ao repórter o General Bertoldo Klinger:
“- O Cel. Mário da Veiga Abreu foi um gigante no comando do Setor Mantiqueira”.
O Bravo militar, no decorrer da entrevista, que começou à noite e se prolongou pela madrugada do dia seguinte, feriu de frente todos os aspectos da epopéia paulista e frisou que a bandeira da liberdade desfraldada em 9 de Julho de 1932 continua tremulando como um sinal de alerta à consciência cívica dos brasileiros. Ponderou o Cel. Mário Abreu que a situação do Brasil é, atualmente, idêntica à daquela época.
- Vivemos num caos. E as comemorações programadas para o 9 de Julho, em São Paulo, constituem, evidentemente, uma advertência oportuna aos homens públicos dessa hora conturbada – objetivou o antigo comandante do Setor da Mantiqueira.

Página Honrosa.

O Cel. Mário da Veiga Abreu fora cognominado pelos seus companheiros da Revolução de Duque de Cunha. Homenagem dos revolucionários ao bravo da Mantiqueira. Ele relembra com modéstia os seus feitos, mas enaltece a coragem, o desprendimento e o estoicismo de seus comandantes e dos demais chefes da Revolução Constitucionalista. Não esconde, entretanto, o seu orgulho, quando alude às referências que a seu respeito fez o saudoso Armando Sales de Oliveira, em discurso pronunciado na cidade de Guaratinguetá, em 12 de outubro de 1934. Descrevendo os desesperados esforços que os revolucionários faziam para recompor a situação assinalada com êxito das forças governistas, lembra o Sr. Armando Sales a brilhante ação da tropa sob o comando do Cel. Mário da Veiga Abreu. É uma página que honra a qualquer um. Para o Duque de Cunha ela vale pelo seu maior galardão. Sua transcrição é necessária para edificação da História: “Para que nem tudo fosse sombra, uma rajada de alegria soprou mais ou menos na mesma ocasião sobre as trincheiras paulistas, a notícia de uma brilhante vitória no Setor Cunha. Na hora em que os adversários procuravam cortar a retaguarda de nossas forças, estas desencadearam um ataque brusco e firme. Conseguindo ocupar o espigão do Divino Mestre as nossas tropas impediam definitivamente qualquer incursão pela estrada de Parati a Cunha.
Os risonhos vales e as lombas suaves da Serra do Mar encheram-se do eco das aclamações que o povo paulista erguia – deslumbrando por aquele súbito luar na noite negra do seu tormento. A bela vitória foi dirigida e conquistada pelo Cel. Mário Abreu, Comandante do Setor. Não desejaria citar nenhum nome nesta leve evocação daqueles dias heróicos. Mas abrindo para o ilustre oficial uma exceção, eu presto uma homenagem aos homens de outros Estados que puseram a sua vida e o seu futuro em uma causa que, se era essencialmente brasileira, sob muitos aspectos só pertencia a São Paulo.

Fora da Política.

O antigo comandante do Setor da Mantiqueira foi revolucionário de 1922 e de 1930. Dois anos depois, desencantado com a conjuntura política do país compreendendo que havia sido postergados os ideais pelos quais lutou, desembainhou mais uma vez a sua espada para, ao lado do povo paulista, defender a lei. Ao término da gloriosa arrancada, integrou-se novamente na vida da caserna. Do Cel. Mário Abreu disse ainda Armando Sales de Oliveira:
“- Fiel aos ideais de servir o Exército como a mais poderosa força de coesão brasileira, ele se pôs à margem das lutas partidárias e subordina seus passos aos imperativos do dever patriótico!”
Eis, em síntese, o pensamento do Cel. Mário da Veiga Abreu:
“- A chama dos ideais da Revolução de 9 de Julho arde imperecível no coração dos paulistas em particular, e dos brasileiros em geral. Não foram em vão que centenas de vidas se perderam no Solo de Piratininga.”








Fonte.

Revista “O MUNDO ILUSTRADO”, nº 75, 7 de julho de 1954, pág. 33. (Arquivo pessoal).




Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
21/04/2017.